sábado, 19 de novembro de 2011

Semana da consciência negra

Meus tataravós - cujos nomes ainda não sei - resultado do nosso "esquecimento" e da política de branqueamento do Brasil. Fotograria fornecida pelo meu tio Ebert Nunes. 

Na semana da consciência negra assistimos várias manifestações da cultura afro, assim como a divulgação de imagens e histórias que poderiamos estar utilizando o ano inteiro, mas, só temos “tempo“ para ver nessa época do ano.
Após algum tempo lendo e buscando referências sobre minhas raízes tenho orgulho hoje em falar sobre a nossa “Mãe Africa”. Acima de tudo precisamos saber que quem sempre desvalorizou o africano ou o afro-descendente foi o colonizador. No mundo de hoje temos informações disponíveis e imagens suficientes para nos mostrar o valor dos povos que vivem nos vários paises africanos e, aprender a respeitar sua arte, sua cultura, suas lutas pela independência e pela dignidade de cada etnia, de cada grupo ou de uma simples aldeia.

Fizemos uma apresentação na escola essa semana mostrando várias imagens sobre a Africa e comparando as informações que sempre tivemos sobre o continente africano. Quando estudavamos sobre o Egito sem nem saber que ele fazia parte da Africa. Quando nossos alunos viram negros dançando, vestidos com roupas típicas de várias regiões africanas, as primeiras manifestações que tivemos foram de deboche. Eles não estão acostumados a ver o negro como protagonista e sim como serviçal. Não se reconhece e nem valoriza suas raizes.

Um povo que desconhece suas raízes, que permite que se dilua a sua estrutura familiar corroída pela corrupção e pela ganância dos que nos dirigem. Que carece não só de pão, mas de fé, de auto-estima, de esperança, de sonhos, de conhecimento e sabedoria, acaba refém dos maus políticos, de líderes incompetentes, de falsas referências.

Precisamos de muito mais do que comemorar o dia da consciência negra, precisamos de informação, instrução, educação e todas as ações que possam privilegiar a valorização e o crescimento de cada um como um ser humano integral.

Mais uma vez acho que nossa reflexão deveria ser por mais EDUCAÇÃO, para o todo o povo brasileiro, seja negro, branco, amarelo ou indígena. Precisamos de acesso a educação, a cultura e a possibilidade real de concretizarmos nossos projetos de vida. 

domingo, 6 de novembro de 2011

Novos cursos associados à Moda no Atelier Ponto com Arte

Novos cursos associados à Moda no Atelier Ponto com Arte

Nos últimos anos tenho observado que a maioria dos estilistas brasileiros estão priorizando em suas peças o uso de técnicas artesanais como bordado, pintura, aplicações, misturando ainda com detalhes e peças em tricô e crochê.
A Valleria Gouveia e a Marcia Marques que são parceiras no Atelier Ponto com Arte já estão ensinando bordado e pintura em Voil, respectivamente.
Como eu leciono Desenho de Moda no CEM e Pintura em tecido no projeto Yafua (Lei Murilo Mendes) no bairro Ipiranga, isso me possibilitou encontrar mais  três parceiras para o nosso atelier: Efigênia, Adriana e Bianka.
Esperamos poder com isso associar a Arte à Moda utilizando como meio as técnicas artesanais. Divulgando talentos e ensinando novas técnicas artesanais.
Trabalhar o design das peças e unir às dicas de tendências de moda, com certeza é a receita de sucesso para nosso empreendimento.
Aproveite você também!
Venha conhecer nossos cursos e desenvolver novas idéias.

mais informações no blog: http://atelierpontocomarte.blogspot.com
ou pelo telefone: 3211-7060

sábado, 29 de outubro de 2011

Quem conhece um Jacu ou Penelope?

Acordei cedinho ouvindo um ruído estranho e ao abrir a persiana me deparei com uma ave estranha. Por trás do vidro registrei esse momento com minha câmara.
Fiquei sabendo que é um Jacu.
Vejam que interessante, um Jacu no centro de Juiz de Fora...




Penelope é um género de aves craciformes (anteriormente galliformes), que contém quinze espécies. O grupo é encontrado na América Central e América do Sul, onde habita zonas de florestas. No Brasil recebem o nome popular de jacu; nos Estados Unidos da América de guans, e nos países de língua espanhola, de pava. Sete espécies ocorrem no Brasil.
Os jacus são aves de grande porte, que podem atingir 85 cm de comprimento. A cauda é longa e arredondada, bem como as asas. O pescoço é relativamente longo e termina numa cabeça pequena. A pele em torno dos olhos está exposta e tem uma cor azulada, na maioria das espécies. Os jacus têm um papo vermelho e saliente na zona da garganta. A plumagem é uniforme e escura, em geral preta(ou uma cor 'chumbo')e com um aspecto escamado. Este efeito é produzido pelas penas do dorso e peito, que são debruadas a branco. A generalidade dos jacus têm patas avermelhadas.

sábado, 3 de setembro de 2011

Dia 05 de Setembro – 122 anos da energia elétrica em Juiz de Fora

Não poderia deixar de comemorar essa data. As aquarelas que fiz para a exposição um "palmo de arte" da Confraria de Arte no Forum da Cultura - JF, é uma homenagem a Bernardo Mascarenhas.

A primeira aquarela refere-se ao seu apelido “pardal do sertão”.

Diziam do Bernardo antes de sua partida para Juiz de Fora: - “Vamos ver o que o pardal do sertão vai conseguir no meio dos canários da cidade”. Em uma carta enviada ao irmão Caetano em 17 de agosto de 1887, Bernardo diz: “Espero em Deus que o humilde pardal do sertão não fará papel triste aqui na terra dos canários e nem voltará para sua terra quebrado e a mendigar empregos como alguém vaticinou”.
Alguns anos depois, estavam desmentidos os prognósticos amargos. O pardal do sertão merecia o respeito e a admiração dos canários da cidade e até dos da Côrte, que lhe davam o nome às ruas e o queriam fazer visconde.
E assim, ficou a partir daí conhecido como o “Bernardo de Juiz de Fora”.



A segunda Aquarela – Teia / Tear – os sonhos de Bernardo.

Embalado por seus sonhos embaixo das árvores da Fazenda de São Sabastião, Bernardo iniciou seus devaneios.Vendo as teias que as aranhas teciam nas copas das árvores formando suas tramas ele tecia seus planos. Assim como essas teias Bernardo veio mais tarde tecer seus fios e produzir os tecidos nos quais envolveria seus projetos concretizados.



Na terceira aquarela uma lâmpada guarda em seu interior a imagem de Bernardo.

Relembrando um jornal da época percebemos a importância de seua realização: “A Rua Halfeld, que era a principal, estava ocupada em vários pontos por grandes faixas suspensas com galhardetes de colorações variegadas e que de longe apresentavam aspecto garrido. Em diversos prédios viam-se lanternas multicores, arandelas de cristal e bandeiras com as cores nacionais. Às sete horas da noite, em frente a tecelagem Mascarenhas, onde se aglomerava a multidão de populares, Bernardo ligou a luz e franqueou ao público o estabelecimento inteiramente iluminado. Logo a seguir formou-se um cortejo imenso, tendo à frente a Diretoria da Companhia Mineira de eletricidade, que percorreu as ruas da cidade, tôdas iluminadas, enquanto vários fogos de artificio rabiscavam no ar (MASCARENHAS, 1957).”






Há dias uma lâmpada estourou em minha casa e de uma forma surpreendente ficou semelhante à pintura que fiz. 122 anos depois eu segurava um simbolo quebrado que para 
mim representa o fim, porque o que se quebra não pode ser colado.



A PREOCUPAÇÃO DE BERNARDO COM A INSTRUÇÃO DE SEUS FUNCIONÁRIOS

Na pesquisa que estamos realizando para o Projeto de historia em quadrinhos, no qual relataremos na primeira historia a vida de Bernardo, um dos fatos que mais me deixou agradavelmente surpresa foi sua preocupação com a EDUCAÇÃO. Esse exemplo é o que queremos mostrar para nossos jovens e apresentar para todos esse personagem empreendedor, dedicado e inovador.
 “Estabelecida na zona rural, com estrutura urbana precária, tanto na vizinha Tabuleiro Grande como no arraial do Cedro, a fábrica passou a cuidar de toda a vida de seus operários, construindo casas para suas moradias, fornecendo-lhes através de um armazém géneros alimentícios, vestimenta, medicamentos, além de prestar-lhes assistência médica e instrução. Quanto à instrução, ela passou a ser uma necessidade, uma vez que o trabalho industrial, diferentemente do agrícola, necessitava que o operário soubesse ler e escrever, não só para compreender melhor as instruções que lhe eram passadas, como fazer alguns cálculos para executar seu trabalho.  Tudo indica que a escola, tanto a feminina como a masculina, começou a funcionar em junho de 1874, já que no dia 13 aparece a seguinte anotação no Livro-Diário: "A Caixa - Escola noturna -Pago a Valeriano Ferreira da Silva por 5 candieiros para a escola a 2$900 - 14$500; idem a Serafim Marinho (sua conta emassada) pelos serviços de seus carpinteiros na construção de bancos, mesas para a mesma escola - 72$600 - 87$100" (LD-CE,1872-1880:316).
No mesmo Livro, vemos duas anotações referentes ao professor que foi contratado. A primeira é de 27 de junho de 1874 referente ao pagamento "por 25 dias que lecionou a 1$000 25$000", e a outra de 25 de julho relacionada a um "adjutório ao mestre para sua mudança 12$000" (LD-CE.1872-1880:321 e 334).
A alfabetização era vital para a qualificação do operário, principalmente para a formação de futuros técnicos nacionais. Saber ler, escrever e fazer as quatro operações eram condições fundamentais para o exercício de algumas funções, notadamente as técnicas, as de controles e as de chefias. A escola, portanto, exerceu um papel decisivo para o aperfeiçoamento técnico e social do operário.
Tornando-se alfabetizado, o acesso a manuais e plantas melhorava sua condição profissional, já que passava a entender o funcionamento dos equipamentos, além de passar a assimilar, com mais clareza, o regulamento e outras normas escritas, o que lhe permitia aprender novos hábitos, diferenciando-o do escravo e do trabalhador rural analfabetos e na sua maioria desqualificados, com pouquíssimas oportunidades de ascensão profissional.

Foi, portanto, do ponto de vista social que a escola teve uma influência decisiva na vida do operariado, não só diferenciando-o dos demais trabalhadores analfabetos, mas estimulando-o para que "o jovem operário crescesse profissionalmente e ascendesse social e economicamente" (GIROLETTI, 1991:99).*
Um País que não investe em EDUCAÇÃO não está avaliando o quanto está perdendo nem o que estará irremediavelmente destroçado no futuro. 

Dignidade, saber e auto-estima não tem preço e só pode ser conquistado com investimento no desenvolvimento do ser humano.

Num momento em que lutamos pela qualidade da EDUCAÇÃO e pela valorização do PROFESSOR esse exemplo nos impulsiona e nos faz esquecer os obstáculos e procurar sempre o sucesso e a concretização de nossos sonhos.


*MASCARENHAS, Nelson Lage, Bernardo Mascarenhas - O surto industrial de Minas Gerais, Gráfica e Editora Aurora, RJ , (1957?).

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

OUSAR VENCER!



Tenho recebido emails de alunos e encontro com alguns professores na rua que me perguntam, você está em GREVE? Minha resposta é sim, estamos em GREVE.

Quem me conhece sabe que eu me considero uma professora apaixonada, pois adoro dar aulas e acho que ensinar arte me faz feliz. Mas, quanto a OUSAR LUTAR isso fica por conta da incoerência das nossas vidas porque precisamos parar de trabalhar para conseguirmos melhorar nossas condições de trabalho.

Eu trabalho na Rede Municipal de Ensino há 09 anos e nunca faltei um dia sequer e só perdi meio dia de trabalho por questões de saúde. Por isso posso dizer que estou fazendo GREVE sim, pela EDUCAÇÃO, pela regularização do Piso Nacional para Professores que é uma LEI, pela ampliação da hora extraclasse que é o momento que precisamos para preparar nossas aulas e que está prevista em Lei também. Enfim, é apenas uma continuação de uma luta que já tenho feito há anos sempre levantando a bandeira de uma educação de qualidade, de mais capacitação para o professor, de mais verba para a educação e a cultura, de mais valorização do Arte-Educador e da Arte como uma área do conhecimento.

Continuamos lutando pela aplicação de uma Lei, que nem seria necessaria, se nossos governantes cumprissem o que prometeram antes de se elegerem.

"Felicidade para mim é poder fazer o que gosto, que é lecionar, com dignidade e respeito."
Portanto, minha luta continua porque ensinar está no meu sangue, mas VENCER é o meu ideal.

Ousar Lutar!
Ousar Vencer!