sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Encontro de Arte-Educadores / II Seminário Sobre Currículo da Rede Municipal de Ensino de Juiz de Fora



Apresentação de violão da Escola Municipal Professora Núbia Pereira de Magalhães



Grupo dos professores de Artes da PJF e representantes da SE

Nos dias 22, 23 e 24 de novembro participei do II Seminário Sobre Currículo da Rede Municipal de Ensino de Juiz de Fora, promovido pela Secretaria de Educação (SE). O Seminário foi realizado na Faculdade Machado Sobrinho e teve como objetivo a elaboração da nova orientação curricular para todas as disciplinas, que será seguida pela totalidade das escolas da rede, a partir de 2011.

Alunos da Escola Municipal Professora Núbia Pereira de Magalhães, do Bairro Santa Cruz, apresentaram números de dança e música aos convidados. O Grupo de Violões e o Grupo de Dança Flamenca da instituição abriram o encontro. fonte: site da PJF - www.pjf.mg.gov.br
No Grupo que participou da elaboração da orientação curricular para a Disciplina de Artes contamos com a representação de cerca de 30 arte-educadores. Após anos na rede municipal, esta foi a primeira vez que nos reunimos com o objetivo de apresentar sugestões relacionadas a prática do ensino de Artes e nos empenhamos ao máximo para conseguirmos cumprir esta etapa.
Adicionei no meu site alguns comentários sobre o curriculo de Artes: http://www.rosevalverde.art.br no link arte-educação - Orientador Curricular da Rede Municipal – Artes.
***
Através desta troca de experiências vimos a possibilidade de continuarmos a debater sobre vários temas relacionados á disciplina de Artes (teatro, música, dança e artes visuais) e surgiu a idéia de multiplicarmos este encontro entre os Arte-Educadores de Juiz de Fora.
* Agendamos um encontro no Centro de Formação do Professor, dia 10 de dezembro, as 18:30.
Pretendemos iniciar um movimento que possibilite a troca de informações e até a possível criação de um núcleo da AMARTE (Associação Mineira de Arte-educadores) em JF. Estamos animados também a montar um grupo de estudos sobre Artes, quem sabe não poderia ser um GE ligado a UFJF, já que deve surgir o curso de mestrado em 2012?
Vale a proposta e estamos esperando adesões...
* Caso queira mais informações envie um email para mim: contato@rosevalverde.art.br ou rosemvalverde@gmail.com.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Cultura Africana em debate no CEM / JF - MG

Cultura Africana em debate no CEM ( Centro de Educação de Jovens e Adultos Dr. Geraldo Moutinho)
No dia 18 de novembro quinta-feira, foi exibido o longa de animação,"Kiriku e a Feiticeira" para as turmas do do EJA e Reconstruir da manhã seguindo a programação sobre a cultura africana, a idéia de se exibir este filme para os alunos foi com o objetivo de conhecerem outras linguagens e diferentes estéticas.
O filme foi produzido com o intuito de mostrar que outras histórias existem além do universo Wall Disney e com a mesma ou melhor qualidade que muitas produções comerciais Hoolyoodianas.
O filme trata da saga de um pequeno herói em busca da salvação de seu povo contra uma feiticeira invencível, os padrões desse herói foge a qualquer padrão de herói norte americano, subvertendo toda a ordem e modelo de heróis construídos em nosso imaginário.
Foi a partir dessa discussão que nós do CEM procuramos trabalhar com os alunos a desconstrução do herói sangrento que individualmente, resolve os problemas sem consultar seus pares, e que utiliza a violência e seu conceito unilateral de justiça respondendo pelos demais, e tudo isso com poderes mágicos outorgados sem um mérito cultural e sim por acaso. Foi muito boa a participação dos alunos pois conseguiram compreender a mensagem do filme "Kiriku".
***
No dia 19 de novembro sexta-feira a contadora de histórias Wanda nos brindou com suas belíssimas narrações nesta manhã, com uma diversidade de histórias africanas e brasileiras. Os alunos puderam perceber que os dois continentes possuem muito mais semelhanças que diferenças.
E finalizando as apresentações desta manhã foi realizada uma roda de capoeira no refeitório,onde todos os alunos tiveram a oportunidade de vivenciarem esse sincretismo cultural, desenvolvido pelas disciplinas de artes (Teatro) e (Percussão) os professores Marcos Bavuso e Marcos utilizaram vários recursos inusitados para contar a criação dos movimentos da capoeira, movimentos dos animais e máscaras para a apresentação das performances, que contava a importância que os povos africanos dão a natureza e aos animais para se relacionarem, o ponto alto da apresentação foi a participação até mesmo de quem não havia ensaiado, pois se sentiram à vontade em experimentar através das máscaras movimentos de animais oriundos da África.
Enfim mais do quer falar e discutir procuramos nesta semana proporcionar a vivência desta cultura tão presente, mas tão desconhecida ainda em nosso âmbito educacional.
Marcos Bavuso - Prof. de Teatro do CEM
***
Aconteceu também no turno da manhã um projeto para o resgate da cultura africana e seus valores. Durante o desenvolvimento do projeto, os alunos tiveram acesso à leitura de livros, contação de histórias, confecção de bonecos, máscaras e painéis com pesquisas variadas.
As pesquisas realizadas pelos alunos foram executadas em parceria com a professora bibliotecária e a professora de informática. Foram utilizados os livros: “Menina Bonita do Laço de Fita”, “O Cabelo de Lele”, “ Bonequinha preta” e o livro “Histórias da Preta” nas turmas de desenho artístico e projeto Reconstruir).
A apresentação de Artes (Teatro), do Professor Marcos Bavuso foi uma adaptação da História Menina bonita do laço de fita para um conto de natal. "Um presente para o coelho" este trabalho foi realizado com as turmas do EJA primeira e quarta série manhã.
As alunas do Curso de Costura Industrial e Desenho de Moda participaram na confecção de bonecas orientando os alunos na montagem destas.
Tudo isso resultou numa exposição que ocupou e deu vida a toda a escola.
***
No sábado dia 20 - Dia da Consciência Negra contamos com uma apresentação da turma do EJA - Prof.a Roberta, Uma contação de História em que Eu (Rose Valverde) iniciei minha carreira de Grio - veja no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=KKUxdpg0YeA - e a apresentação da Banda Invisível com o repertório baseado em músicas com inspiração africana, jamaicanas e sambas. Terminamos com uma feijoada deliciosa!
A direção do CEM e toda a equipe está de parabéns pelo empenho em transformar o espaço escolar num espaço de convivência mais alegre e fraterno.
Veja nos slides alguns momentos da semana...

domingo, 14 de novembro de 2010

"O Objeto não é o que se ve."

Essa frase de Vick Muniz me chamou a atenção e muitas vezes as pessoas nem percebem o que estão vendo.
Perguntei às minhas alunas de Desenho de moda se conheciam o trabalho de Vick Muniz . Elas disseram que não. Quando disse que havia uma de suas obras na abertura da novela da Globo, "Passione", ai, a resposta afirmativa foi geral.
Vick Muniz atualmente é um dos artistas brasileiros de maior credibilidade e valorização no mercado internacional, mas ainda é desconhecido para a maioria da população.

Precisamos conhecer e divulgar mais nossos artistas.

Para quem tem curiosidade em conhecer mais o seu trabalho feito com materiais diversos e inusitados, ai vai...










quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Políticas culturais nos Governos FHC e Lula

Recebi este texto através do yahoo-grupos Rede Cultura Infância e achei interessante divulgar já que tenho falado tanto sobre a nossa necessidade de recebermos mais informações para podermos julgar melhor.
Espero que possa ser útil em nossas reflexões sobre políticas culturais.


***
O segundo turno das eleições presidenciais de 2010 nos convida a uma reflexão acerca das políticas culturais inscritas nos projetos políticos em confronto. Mais que um mero embate entre as personalidades de Dilma e de Serra, como muitos querem fazer crer, importa entender que a efetiva disputa eleitoral acontece entre projetos políticos distintos que se expressam nestas candidaturas.

Para as pessoas interessadas em cultura, cabe analisar como estas forças políticas tratam a cultura. Tal compreensão implica, por exemplo, na análise comparativa das políticas culturais desenvolvidas pelos governos no plano federal: PSDB (1995-2002) e PT (2003-2010).

O Governo FHC teve um único Ministro da Cultura: Francisco Weffort. A atuação prioritária do Ministério da Cultura esteve voltada para desentravar e ampliar o funcionamento das leis de incentivo no país. Não por acaso a cartilha Cultura é um Bom Negócio se tornou um documento emblemático da atuação deste governo no campo da cultura. A efetiva ampliação do funcionamento das leis de incentivo foi conseguida, em especial, através da orientação do governo para as empresas estatais investirem no campo cultural.

Além de estimular a aplicação e ampliação da lógica das leis de incentivo, o ministério desenvolveu alguns projetos como o Monumenta, voltado para a área de patrimônio físico, mas realizado institucionalmente fora do IPHAN, e o programa de expansão do número de bibliotecas no Brasil, visando dotar todos os municípios de, pelo menos, uma biblioteca, meta não realizada apesar do esforço desenvolvido. Também a área de patrimônio imaterial foi contemplada, através da criação de legislação específica neste setor. Mas estas e outras iniciativas não se pretendiam como contraposições à prioridade conferida às leis de incentivo. Elas atuavam de modo complementar à opção política tomada.

Esta política de priorizar as leis de incentivo inibiu, em boa medida, a deliberação do governo sobre os projetos culturais e, por conseguinte, sobre políticas culturais, pois a decisão efetiva sobre a cultura a ser estimulada foi transferida para as empresas, conforme previsto na modalidade de leis de incentivo vigente no Brasil. A escolha se mostrava sintonizada com a conjuntura nacional e internacional de fortalecimento do papel do mercado e inibição da atuação do estado. O orçamento do Ministério no final do período é de 0,14% do orçamento nacional.

O Ministério da Cultura no governo Lula foi ocupado por Gilberto Gil (2003-2008) e Juca Ferreira (2008-2010). Tais ministros assumiram posição contrária ao predomínio das leis de incentivo, ainda que projeto neste sentido só tenha sido enviado ao Congresso em 2010. Eles defenderam desde o início a necessidade de retomar o papel ativo do estado na formulação e no desenvolvimento de políticas culturais.

A construção de políticas de cultura foi realizada com a participação da sociedade por meio de seminários, câmaras temáticas e encontros, como as duas Conferências Nacionais de Cultura de 2005 e 2010. Uma maior institucionalidade para o campo cultural foi buscada através do desenvolvimento do Sistema Nacional de Cultura (SNC), que pretende articular a federação, os estados e os municípios, e do Plano Nacional de Cultura (PNC), conformado em interação com o Congresso Nacional, além da criação de novas instituições culturais, como o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), e novos órgãos como a Diretoria de Relações Internacionais do Ministério da Cultura.

Diversos projetos foram implantados e alguns ganharam grande projeção como: Pontos de Cultura, por certo uma das atividades de maior repercussão nacional e internacional do Ministério, e DOC-TV, que envolve televisões públicas de todo Brasil e o Ministério da Cultura para a produção e divulgação de documentários e que, dado o sucesso, já teve várias versões, inclusive internacionais, como as latino-americanas e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

As políticas para a diversidade cultural assumiram lugar relevante no governo Lula. No debate internacional sobre a diversidade cultural promovido pela UNESCO para construir a Declaração (2001) e a Convenção (2005), o Brasil teve inicialmente uma posição bastante ambígua. Mas tal postura foi radicalmente modificada com o novo governo. O Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, em conjunto, atuam vivamente em prol das normas internacionais de defesa da diversidade cultural. No plano interno, o Ministério da Cultura criou a Secretaria da Identidade e da Diversidade Culturais (SID) para implantar políticas e dar visibilidades aos documentos internacionais. Na busca de empreender políticas para a diversidade, a SID, pela primeira vez na história brasileira, desenvolveu uma política cultural para os povos originários, algo que nunca tinha ocorrido no país.

A política cultural diferenciada implicou também em um aumento substancial do orçamento do Ministério, que se aproximou de 1% do orçamento nacional. O orçamento reforçado possibilitou ampliar o Fundo Nacional de Cultura, permitindo contemplar uma maior diversidade de expressões e regiões culturais. A articulação entre diversos ministérios, inspirado no PAC, viabilizou o Programa Mais Cultura, que ampliou os recursos para a cultura, com destaque, para as áreas mais carentes e de maior vulnerabilidade social.

Esta breve exposição das atividades culturais desenvolvidas nos governos do PSDB e do PT aponta nitidamente para dois projetos culturais bem distintos: um que deprime as políticas culturais do estado nacional e deixa a cultura ser regulada prioritariamente pelo mercado e outro que constrói políticas culturais públicas, através do diálogo entre estado e sociedade, visando preservar e promover a diversidade cultural brasileira. A comunidade cultural está convocada democraticamente a fazer sua escolha entre estes dois projetos expressos nas candidaturas de Dilma e de Serra.


Antonio Albino Canelas Rubim
Formado em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (1975) e em Medicina pela Escola Baiana de Medicina (1977), mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1979), doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (1987) e pós-doutor em Políticas Culturais pela Universidade de Buenos Aires e Universidade San Martin (2006). Atualmente é professor titular da Universidade Federal da Bahia; docente do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade e do Programa de Artes Cênicas, ambos da UFBA; Ex-Diretor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA; Ex-Presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Ex-Coordenador do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Pesquisador I-A do CNPq. Autor de livros e artigos em periódicos nacionais e internacionais. Membro de Conselhos Editoriais de publicações em Cultura e Comunicação. Foi diretor da Faculdade de Comunicação da UFBA, por três vezes; Presidente da Câmara de Extensão da UFBA; Presidente da Câmara de Comunicação, Cultura e Turismo da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia; Secretário de Cultura da Associação dos Professores Universitários da Bahia, por duas vezes, e Presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Principais áreas de interesse: políticas culturais; cultura e política; comunicação e política; cultura, comunicação e sociedade.