domingo, 29 de maio de 2011

Minha homenagem a Bernardo Mascarenhas

Bernardo Mascarenhas nasceu em 30 de maio de 1847 e como estamos pesquisando sua história para o projeto Bernardo Mascarenhas, um homem várias histórias, da Cedro e Cachoeira até os dias de hoje, não poderia deixar de prestar uma homenagem.

Vou reproduzir algumas rimas do Zé Piloto que escreveu em sua coluna  Rimas Sem Rumo, na Gazeta da Tarde de 26 de agosto de 1889:

Não estou em mim. Não posso
Em saudar a todos ardo.
Viva, viva, viva o nosso
Caro Bernardo

No livro Bernardo Mascarenhas Desarrumando o arrumado - um homem de negócios do século XIX,  Alisson Mascarenhas Vaz pode nos mostrar um pouco da personalidade de Bernardo, reproduzo um trecho da introdução:

"Bernardo Gonçalves da Silva Mascarenhas não foi apenas um rico homem de negócios que viveu na segunda metade do século XIX, em Minas Gerais. Ele foi, antes de tudo, um inovador em tudo que fez em sua curta vida de apenas 52 anos, dos quais 31 dedicou a projetos industriais, dois deles pioneiros. Uma fábrica de tecidos, em 1872, no arraial do Cedro, que foi a primeira da Província de Minas Gerais e uma usina hidrelétrica, em 1889, que foi a pioneira na América do Sul, fornecendo energia para a iluminação pública e particular de Juiz de Fora.
Ele foi um obcecado pelas novas tecnologias que dominaram o século XIX. Foi um inovador por excelência, que conseguiu desviar parte da fortuna da família Mascarenhas para outras atividades que não a agricultura, a pecuária, o comércio e a financeira a que se dedicavam os seus endinheirados membros, que viviam no sertão da Província de Minas Gerais.
Na pasmaceira do interior da Província, quando se acordava às quatro da madrugada, almoçava-se às dez, jantava-se às quatro e dormia-se às oito da noite, utilizando-se a mão-de-obra escrava predominantemente, enquanto as escravas iniciavam os jovens filhos da aristocracia agrária na vida sexual, no sertão, em que o silêncio só era cortado pelas chibatadas do feitor, pelo canto sofrido dos escravos, pelo ranger dos carros de boi, pelo uivar das feras nas matas e pelo canto dos pássaros, Bernardo introduziu o trabalho livre e o barulho cadenciado dos teares.
Talvez, convencido de que havia se transformado em um estorvo para aqueles que faziam restrições a suas ideias avançadas para aquele meio, buscou novos ares em um centro urbano em franca expansão como era Juiz de Fora, no qual haveria maior receptividade a seu génio empreendedor. Foi recebido com fama de industrial competente e realizador audacioso, mas bastou que procurasse introduzir a eletricidade na semiescuridão da luz fraca dos lampiões, para que sofresse a desconfiança da imprensa e de parte da população.
Bernardo vinha sempre para desarrumar o arrumado. Como fizera no sertão, ele chegava para subverter o cotidiano daquela Juiz de Fora ainda provinciana, dando-lhe ares de cidade cosmopolita, introduzindo a luz elétrica que até então era privilégio de raras cidades brasileiras e das metrópoles europeias e norte-americanas. Arriscando sua reputação e seu capital, não optou, como fizera a cidade de Campos no Rio de Janeiro, por uma usina termelétrica de eficácia conhecida, mas que necessitava do carvão importado, preferindo utilizar a água, abundante no país, mas cuja eficiência ainda provocava acaloradas discussões entre especialistas, quanto ao melhor sistema para a condução da energia a longa distância.
Bernardo chegou a Juiz de Fora, quando as campanhas abolicionista e republicana já eram uma realidade, na contramão da elite política, que se confundia com a económica, embora precisasse e fizesse parte dela. Se é verdade que essa elite buscava construir uma identidade moderna para se alinhar com a postura imperial estabelecida a partir da Corte, produzindo uma "modernização conservadora", no dizer de James W. Goodwin Jr., a modernidade pretendida por ele, ao contrário, nada tinha de conservadora, uma vez que não se alinhava com a preservação do regime imperial, mas sim com o advento da república. Ao conjugar modernidade e república, o que ele buscava era não só subverter a ordem económica, mas também a política dentro de parâmetros que não eram os da elite juiz-forana. A sua modernidade, a companhada da república, almejava abalar os alicerces do Império e com ele a sua sustentação económica que se baseava no trabalho escravo e na agricultura. Bernardo era republicano e industrial.
Se Bernardo foi muito mais um homem de ação que de pensamento, este não esteve totalmente dissociado de sua prática empresarial, que foi decisiva para o processo de industrialização de Minas Gerais, do qual ele foi a figura mais representativa.
Realmente, Bernardo teorizou pouco ou quase nada sobre o desenvolvimento económico, principalmente o industrial, dos últimos trinta anos do século XIX. Podemos apenas encontrar algumas posições nacionalistas em trechos de cartas que escreveu para alguns amigos e, principalmente, para os irmãos. Embora tivesse como modelo o capitalismo inglês, que ele conheceu bem em sua primeira viagem à Europa em 1874, sempre procurou adaptá-lo à realidade brasileira, apesar de todas as limitações da época. Embora acreditasse na iniciativa privada como força propulsora do desenvolvimento económico, para o qual cabia ao Estado um papel regulador, em determinadas circunstâncias acreditava na necessidade de sua intervenção direta.
Na sua prática econômica, não foi por acaso que optou por uma usina hidrelétrica ao invés de uma termelétrica ao conceber a iluminação elétrica de Juiz de Fora. A água como geradora de energia encontrava-se em abundância na natureza bastando captá-la, enquanto havia necessidade de se importar carvão para acionar uma termelétrica. Este traço nacionalista sempre esteve presente em seu pensamento industrial. O protecionismo que defendia para o café, aliado a um câmbio favorável, não deixava de refletir essa sua posição.
Também não pode passar desapercebida a sua insistência com relação à mão-de-obra técnica para a indústria têxtil que ele queria nacional, insistindo que os técnicos estrangeiros, além de receberem altos salários, não transferiam seus conhecimentos, mas, ao contrário, faziam deles motivo para criar laços de dependência junto aos empresários pioneiros que investiam no setor.
O que sempre pregou Bernardo - não foi por acaso que em sua primeira estada na Inglaterra frequentou as oficinas de fabricantes de máquinas, tornando-se um hábil maquinista apto a transmitir seu conhecimento para jovens operários brasileiros - foi que havia necessidade de se livrar da dependência do técnico estrangeiro, não só para que as fábricas ficassem desobrigadas do pagamento de salários em moeda estrangeira, mas, principalmente, porque era necessário formar uma mão-de-obra autóctone que pudesse dar maior segurança aos novos industriais.
É preciso, portanto, que busquemos as raízes do pensamento e da atuação empresarial de Bernardo, já que, através de sua origem - nascido e criado em um meio agrário, conservador e escravocrata - nos parece difícil encontrar as respostas para a sua formação moderna, republicana e industrial."
Temos muito a dizer sobre ele e poderão conhecer em breve quando finalizarmos nosso projeto com uma história em quadrinhos que contará parte de sua vida.

Até lá!


sábado, 28 de maio de 2011

61º Salão Oficial Municipal de Belas Artes - JF - MG


A Associação de Belas Artes Antônio Parreiras iniciou seu 61º Salão Oficial Municipal de Belas Artes, em sua sede, no dia 27 de maio às 20h 30m, onde permanecerá à mostra até dia 22de junho. 
 Participei do Salão como membro do Juri e acho importante destacar a necessidade dos artistas divulgarem seus trabalhos e por isso convocamos vários artistas para participar juntos do atelier aberto que funcionará na praça da estação dia 29 - domingo - como parte da programação do Corredor Cultural promovido pela FUNALFA (Fundação CUltural Alfredo Ferreira Lage- JF - MG).
O Salão, excepcionalmente, permanecerá aberto de 09 às 17 horas, no dia 29 integrando o “Corredor Cultural” promovido pela FUNALFA. 

PREMIO EXTRA CURRICULAR:
Um diploma e em espécie, denominado: Mestre César Turratti :
Cristiano Evangelista com o desenho “Guns n' Roses”

 Cristiano Evangelista

PREMIAÇÃO CURRICULAR:
SEÇÃO DE PINTURA A ÓLEO OU ACRÍLICA
Medalha de Ouro: Fernando Pio Penna - Prêmios Categoria Ouro:, Irene Barros, Maria José Mendonça, Miguel Ângelo e Nadia Salvarani. - Medalhas de Prata:, Geraldo Martins, Maria do Carmo Froede e Sylvia Echeverria. - Prêmios Categoria Prata:  Claudia Coelho, Ivonete Oliveira, Lucia Massari e Rachel Gouvêa. - Medalhas de Bronze: Nair Cândida e Calil Rameh. - Prêmios Categoria Bronze: Brígida Costa, Lisy Telles e Yolette Abramo.
Menções Honrosas: Ana Elisa Siqueira, Dione Escarabichi, Heloysa Ramos, Izabel Mano, Lídia Laura, Maria da Glória dos Santos, Selma Antonini e Vianno Rheim.
SEÇÃO DE DESENHO
Medalha de Ouro:  Fernado Pio Penna. - Prêmio Categoria Ouro: Carlos Eduardo Marconato. - Medalha de Bronze: Cristiano Evangelista. - Prêmio Categoria Bronze:  Iriê Salomão.  - Menções Honrosas: Genuína Dornelas e Vianno Rheim .
SEÇÃO DE TECNICA MISTA
Prêmios Categoria Bronze: Íris de Souza e Mari Dias.
SEÇÃO DE ARTE APLICADA
Menção Honrosa: Claudia Lente.
SEÇÃO DE ESCULTURA
Medalha de Ouro: Paulo Vasconcellos. – Medalha de Prata: Raniel Vehuel.  Menções Honrosas: Leandro Esteves e Regina Helene.

Quinze anos da Alline - quadro de Rose Valverde - Hours Concurs - Membro do Juri do 61° Salão

 O Diretor da ABAAP - Lucas Amaral





domingo, 15 de maio de 2011

Uma homenagem a Murilo Mendes


Os Pobres - Rose Valverde - óleo s/ tela - 1992 

Em 1992 quando trabalhava na Funalfa realizamos uma exposição na Biblioteca Murilo Mendes com quadros inspirados na poesia de Murilo e um varal de poesias com ilustrações. A poesia "Os Pobres" sempre me encantou e esse quadro é minha homenagem a Murilo Mendes.


Os Pobres - Murilo Mendes

Chegam nus, chegam famintos
À grade dos nossos olhos.
Expulsos da tempestade de fogo
Vêm de qualquer parte do mundo,
Ancoram na nossa inércia.
Precisam de olhos novos, de outras mãos,
Precisam de arados e sapatos,
De lanternas e bandas de música,
Da visão do licorne
E da comunidade com Jesus.
Os pobres nus e famintos
Nós os fizemos assim.



Murilo Monteiro Mendes, nasceu dia 13 de maio de 1901, em Juiz Fora, Minas Gerais. Aos 9 anos diz ter tido uma revelação poética ao assistir a passagem do cometa Halley. Em 1917, uma nova revelação: fugiu do colégio em Niterói para assistir, no Rio de Janeiro, às apresentações do bailarino Nijinski. Muda-se definitivamente para o Rio em 1920. Os anos de 1924 a 1929 foram dedicados à formação cultural e à luta contra a instabilidade profissional. Foi arquivista no Ministério da Fazenda e funcionário do Banco Mercantil. Nesse período publica poemas em revistas modernistas como "Verde" e "Revista de Antropofagia". Seu primeiro livro, "Poemas", é publicado em 1930. É agraciado com o Prêmio Graça Aranha. Converte-se ao catolicismo em 1934. Torna-se inspetor de ensino em 1935. Em 1940, conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria em 1947. Com tuberculose, é internado em sanatório na região de Petrópolis, em 1934. Em 1946, torna-se escrivão da 4ª Vara de Família do Distrito Federal. Cumpre missão cultural na Europa, proferindo diversas conferências. Muda-se para a Itália em 1957, onde se torna professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma. Foi também professor na Universidade de Pisa. Seus livros são publicados por toda a Europa. Em 1972, recebe o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina. Vem ao Brasil pela última vez. Murilo Mendes morre em Lisboa, no dia 13 de agosto de 1975.

OBRAS:
"Poemas" (1930), "Bumba-meu-poeta" (1930), "História do Brasil" (1933), "Tempo e eternidade" - com Jorge de Lima (1935), "A poesia em pânico" (1937), "O Visionário" (1941), "As metamorfoses" (1944), "Mundo enigma" e "O discípulo de Emaús" (1945), "Poesia liberdade" (1947), "Janela do caos" - França (1949), "Contemplação de Ouro Preto" (1954), "Office humain" - França (1954), "Poesias (Obra completa até esta data)" (1959), "Tempo espanhol" - Portugal (1959), "Siciliana" - Itália (1959), "Poesie" - Itália (1961), "Finestra del caos" - Itália (1961), "Siete poemas inéditos" - Espanha (1961), "Poemas" - Espanha (1962), "Antologia Poética" - Portugal (1964), "Le Metamorfosi" - Itália (1964), "Italianíssima (7 Murilogrami) - Itália 1965), "Poemas inéditos de Murilo Mendes" - Espanha (1965), "A idade do serrote" (1968), "Convergência" (1970), "Poesia libertá" - Itália (1971), "Poliedro" (1972), "Retratos-relâmpagos, 1ª série" (1973),"Antologia Poética" (1976) e "Poesia Completa e Prosa" (1994).


mais informações: http://www.ufjf.br/mamm - Museu de Arte Moderna Murilo Mendes, Rua Benjamin Constant, 790 - Centro - Telefone: (32) 3229-9070
 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MESTRE... morreu uma PROFESSORA

Servidores da Prefeitura de Juiz de Fora e o Sindicato dos Professores (Sinpro) reclamam do Decreto Municipal  que restringe a liberação de atestado médico. Na última semana uma professora morreu de aneurisma cerebral na cidade por não ter um atestado médico do Sistema Único de Saúde (SUS) que garantisse o afastamento dela para o tratamento da doença.
A história da professora que morreu na semana passada, depois de ir trabalhar passando mal, quem conta é a coordenadora do sindicato, Aparecida de Oliveira Pinto. Ela lembra que por cinco dias a amiga buscava um meio de validar o atestado, emitido por um médico do plano de saúde.
O decreto número 9.350, de 2007, da Prefeitura de Juiz de Fora, diz que o servidor que deixar de comparecer ou se afastar do trabalho por motivo de doença deve apresentar atestado médico emitido por serviço público ou profissional vinculado ao SUS da cidade.
Em nota a Prefeitura diz que a medida foi necessária para normatizar a perícia médica e que normas como essa são adotadas em grandes empresas e instituições públicas que possuem setor de medicina do trabalho.
Ou seja, atestado com a assinatura de médico particular não vale.
http://www.zonadamatamg.com.br/

Já havia preparado um texto para falar sobre O DIA DA EDUCAÇÃO - 28 de abril.
Resolvi prestar uma homenagem a PROFESSORA vítima de nosso sistema falido e cheio de incoerencias.
Mas ainda continuo firme na campanha a favor da EDUCAÇÃO.


No dia 28 de abril comemora-se o dia da Educação.

Temos muito a lutar e reivindicar por uma melhora na educação em nossa cidade, em nosso estado e em nosso país.
Essa luta é ardua e difícil de ser realizada, pois os maiores entraves para a sua vitória estão na mudança de valores de alguns políticos, na conquista da cidadania e na luta pelos direitos que são anseios da população, na transformação dos laços familiares que estão se diluindo e deixando de argamassar a base da família.
Não teremos nada a comemorar se não pudermos antever uma mudança pequena que seja no íntimo das pessoas. Não poderemos acreditar em mudanças se não pudermos alimentar a esperança de muitos jovens de concretizar seus sonhos. Não podemos ampliar o acesso a educação se não houver parceria de toda a sociedade em função de novas conquistas visando mudar os patamares da violência, da insegurança e da criminalidade.
Devemos seguir em busca da ética, da auto-estima, da cidadania, do progresso e da satisfação em ser útil. Poderemos transformar o país se investirmos em mais Educação, mas sem paternalismo, sem omissões e sem acobertar a miséria doando ajuda sem ensinar as pessoas a sobreviverem e mudar seus rumos.
Não podemos acreditar na vitória da educação se não investirmos em “trazer o mestre” para a Educação. Não só o mestre que busca a sua sobrevivência, mas o mestre que se compromete com seu trabalho, que consegue com dignidade manter sua família e pode sonhar em obter melhoras ajudando a melhorar também a vida de seu próximo.
 “Bem judiciosas são as seguintes considerações de Vieira sobre o inestimável valor da educação sob seu aspecto moral: "Em todas as ciências é certo que há muitos erros, dos quais nasce a diferença de opiniões; em todas as ciências há muitas ignorâncias, as quais confessam todos os maiores letrados que não compreendem nem alcançam. Pois se veio a Sabedoria divina ao mundo, por que não alumiou estes erros, por que não tirou estas ignorâncias? Porque errar ou acertar em todas as matérias, sabê-las ou não as saber, pouca coisa importa; o que só importa é saber salvar, o que só importa é acertar a ser bom: e isto é o que nos veio ensinar o Filho de Deus. Nem ensinou aos filósofos a composição dos continentes, nem aos geómetras a quadratura do círculo, nem aos mareantes a altura de Leste e Oeste, nem aos químicos o descobrimento da pedra filosofal, nem aos médicos as virtudes das ervas, das plantas e dos mesmos elementos; nem aos astrólogos e astrónomos o curso, a grandeza, o número e as influências dos astros: só nos ensinou a ser humildes, ó nos ensinou a ser castos, só nos ensinou a fugir da avareza, só nos ensinou a perdoar as injúrias, só nos ensinou a sofrer perseguições pela causa da justiça, só nos ensinou a chorar e aborrecer o pecado e amar e exercitar a virtude; porque estas são as regras e as conclusões, estes os preceitos e os teoremas por onde se aprende a ser bom, a ser justo, que é a ciência que professou e veio ensinar o Filho de Deus."
É de semelhante espécie de ensino que precisam os homens de nossos dias. Todos os problemas do momento atual se resumem em uma questão de caráter: só pela educação podem ser solucionados. Demasiada importância se liga às várias modalidades do saber, descurando-se o principal, que é a ciência do bem.
Os pais geralmente se preocupam com a carreira que os filhos deverão seguir, deixando-se impressionar pelo brilho e pelo resultado utilitário que de tais carreiras possam advir. No entanto, deixam de atentar para a questão fundamental da vida, que se resolve em criar e consolidar o caráter. Antes de tudo, e acima de tudo, os pais devem cuidar da educação moral dos filhos, relegando às inclinações e vocações de cada um a escolha da profissão, como acessório.
A crise que assoberba o mundo é a crise de caráter, responsável por todas as outras.
O momento reclama a ação de homens honestos, escrupulosos, possuídos do espírito de justiça e compenetrados das suas responsabilidades.
Temos vivido sob o despotismo da inteligência. Cumpre sacudir-lhe o jugo fascinador, proclamando o reinado do caráter, o império da consciência, da moral e dos sentimentos.”[1]
Não poderemos transformar nossos cidadãos se não colocarmos a Educação nas mãos de um mestre maior, Jesus, que pode guiar as famílias e a escola, os gestores, legisladores, educadores e toda a sociedade em direção há um caminho de reconquista de valores e de solidificação de ideais.
E o nosso maior “Mestre” veio nos ensinar a amar e a servir e colocou em nossas mãos a oportunidade de crescer e progredir e para tanto não precisamos de muito, basta segui-lo.



[1] CAMARGO, Pedro de (Vinícius), O mestre na educação, FEB, 1977.

domingo, 27 de março de 2011

Histórias e memórias do CCBM


A partir das pesquisas que estamos realizando para o projeto Bernardo Mascarenhas, um homem várias histórias, da Cedro e Cachoeira até os dias de hoje. Surgiram outros assuntos e outras histórias e algumas fazem parte de experiências que vivi no CCBM no período em que trabalhei na FUNALFA.
Apresento aqui parte desse relato, o restante vocês poderão visualizar no meu site www.rosevalverde.art.br na página Arte-educação – arquivos textos p/ divulgação – O CCBM sob meu olhar.
 Apresentação de Henrique Simões na abertura da Mostra Professor Também Faz Arte (2010)
“Quem diria que após vinte anos em que eu fiz um curso de Teatro com o Henrique Simões o reencontraria encenando textos de Drumond no mesmo espaço em que ele tanto lutou para criar. E tive o privilégio de documentar esse momento que agora serve como um elo entre o presente e o passado. [...] Mas podemos voltar mais ao tempo até meados de 1983 quando Simões conversava com Walter Sebastião, jornalista e crítico de arte, sobre a Fábrica Bernardo Mascarenhas que estava há anos abandonada e sem utilidade. E assim, Henrique Simões, Walter Sebastião e Guilherme Bernardes iniciam junto com os irmãos, Décio, Nívea e Carlos Bracher e vários outros artistas e intelectuais da época a campanha “Mascarenhas meu amor”, que é o início de um longo processo de negociação e mobilização visando negociar com autoridades do estado a fim de conseguirem transformar a velha e falida fábrica no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. [...]Em 1990 comecei a trabalhar na Funalfa a convite da Superintendente Patria Zambrano e o Coordenador de Cultura na época era o Natale Chianello, foi aí que entrei na Oficina do Sensorial Teatro que era dirigida pelo Henrique Simões. [...] De 1990 a 1994 trabalhei na Funalfa no setor de Artes Plásticas e durante esse período iniciamos um cadastro de artistas plásticos da cidade e através desse cadastro começamos a reunir os artistas e realizar eventos ligados a arte. Montamos o projeto Galeria Aberta, que reunia artes plásticas, poesia, dança, apresentações musicais e concertos no Parque Halfeld. Em setembro de 91 realizamos a galeria aberta que tinha uma premiação ao final e exibimos também, durante o evento, filmes de arte em 16 mm sobre Picasso, Os Impressionistas, Delacroix, Marc Chagall, Braque e Claude Monet. Realizamos exposições no Saguão da Câmara, como a exposição coletiva Grupo 16, e no próprio Espaço Mascarenhas a exposição de Artistas da Zona da Mata, gincanas artísticas ao ar livre e etc.[...]”
Obra em exposição no MAMM  

No dia 27 de março, quando estive na abertura da exposição, O POETA DAS IMAGENS, Acervo da Casa de Rui Barbosa com pinturas de Arlindo Daibert no Mamm, outra história veio a minha memória. Arlindo Daibert faleceu em 1993 e poucos conhecem a história de sua morte que aconteceu no próprio CCBM, enquanto ele fazia uma palestra sobre cinema. Alguns ouvintes acharam que ele estava encenando, pois, falava sobre filmes de suspense quando caiu vítima de um ataque cardíaco. 


 
Arlindo Daibert

Arlindo, exerceu sua arte com dedicação e originalidade e partiu novo ainda, em plena atividade, resgatando histórias da arte como era sua preocupação sempre.

Mais histórias, estamos reunindo e em breve estará num blog que será o registro de toda a pesquisa realizada nesse projeto. Até lá dividiremos alguns momentos importantes que fazem parte da história do Espaço Mascarenhas e de nossa cidade.